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Lembrei-me que ele, com quase toda a minha certeza, saberia lidar com a situação. Saberia qual a quantidade exacta de lágrimas que poderia deixar correr, qual o tempo preciso em que poderia permanecer num estado de depressão. E agarrar-me-ia ao ver-me incapaz de seguir esses protocolos inúteis, essas estúpidas convenções que nos prendem ao chão, que nos colam à terra suja deste mundo humano. À terra, meu deus! À terra e não ao céu. Aquele céu em que ele sempre acreditou. Tão certo e tão sábio. Tão ingénuo ao mesmo tempo. Confiava demasiado nas pessoas, aconselhando-me sempre a não agir da mesma maneira. Acho que ele não tinha noção da sua inocência. A solidariedade para com um outro, para ele, era das coisas mais importantes, mesmo que esse outro fosse oportunista. O José não via maldade nas pessoas. “A ajuda é o primeiro passo para um mundo melhor.”, costumava dizer. Demasiado pueril para a sua sabedoria. Não agia como uma criança, é certo, mas aquela confiança perpétua na bondade dos outros em muito pouco se revelou útil. Acreditava em Deus ele… E não era apenas fiel, era praticante: rezava e ia à missa; acreditava na sua própria fé, na esperança e no sonho. De menino, guardava, ainda, o desejo de ser missionário na sua própria terra – “Tanta coisa bonita a esconder uma realidade de desgraça. Em Portugal é assim: há os monumentos, há o turismo e há o futebol; as crianças e educação ficam esquecidas neste país de analfabetos. Um dia hei de mudar este mundo tão pequeno somente com a magia das palavras e das acções.”. Sim, o José era professor. Com o passar dos anos, percebeu que uma única disciplina não chegava para satisfazer a sua necessidade de ensinar. Afinal, ensinara sempre o mesmo não devia ter lá muita piada. Passou da “magia das palavras” para História e para a Geografia. Era um homem de humanidades, por assim dizer; talvez por ser demasiado humano a vida lhe tivesse dado tal vocação. Foi meu professor, também. Não o encontrei atrás da secretária da frente numa sala de aula, nem o vi de pé a dar aulas a um auditório repleto de gente na faculdade, mas ele ensinou-me grande parte do que hoje sei. Na verdade, o José foi meu colega de carteira durante vários anos. Depois de ser colega de carteira, passou a ser apenas amigo, para sempre amigo. As turmas mudaram e os anos passaram, mas aquilo que nos ligava manteve-se até ao dia em que ele morreu. Que saudades!... Ó José, o que é que vou fazer sem ti? Quem me vai compreender? Ouvir? Acalmar? Quem vai limpar estas lágrimas que choro por ti?.. |
| ze :S July 27, 2005 10:09 PM PDT maaaauuu...o q eu to a achar e demasiadas semelhanças do personagem com alguem...começo as ttas a pensar q m kers e ver plas costas! cm quem diz, na cova! bom texto..lol | ||
| Skizo June 25, 2005 05:20 AM PDT Não é costume um texto destes vindo de ti... Não sei, não o vejo como sendo tu a escreve-lo. O que não lhe tira todo o mérito, claro. Está bom, mas não é dos teus melhores *** Beijos* P.S.:Reabri o Ursinhos | ||
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