Entry: Vestido Vermelho Sunday, January 23, 2005



        Quis guardar-te dentro de mim mas fugiste-me. Quis agarrar-te a mim mas tu largaste-me. Quis ser para sempre teu mas tu não quiseste. Sacudiste-te para que o meu amor por ti fosse esquecido. Rasgaste as cartas de amor que te escrevi, pisaste as flores que te dei, partiste o coração que te dei. Aquele coração que para sempre será teu.

         O teu vestido vermelho, aquele que tantas vezes vestiste para mim, está deitado sobre a cadeira do quarto. Vejo-te despida, enrolada nos lençóis de seda. A tua nudez espera por mim ofegante. Fecho os olhos e imagino-te na praia, de noite, a dançar com aquele vestido; os contornos do teu corpo cheios de nada já não me acordam. Já não gosto de te ver assim, despida. Não gosto que os teus mistérios desapareçam. Prefiro imaginar-te de vermelho, na praia, dançando ao som da Lua Cheia e do Mar, a ter-te aqui, à minha frente, sem nada para além do teu corpo.

         Chamas-me com o dedo, sorris doce e ligeiramente, gritas o meu nome num suspiro. Finjo não ouvir: não me quero envolver contigo dessa maneira tão leve e  tão leviana. Pelo menos, não Apenas dessa maneira. Quero-te minha, mas não quero o teu corpo – quero a minha alma dentro de ti.

         Levantas-te e dás-me a mão. Deitas-te de novo e pousa-la na tua cintura.

Não quero, não quero ser mais uma paixão ardente! Não quero ser apenas mais um homem na tua vida! Não quero ser alguém que lembrarás como parceiro na cama – quero ser parceiro para a vida!

Mas não te resisto... não resisto ao teu respirar, nem à tua pele macia; não resisto à volúpia do teu corpo nem à tua voz: não resisto à ideia de te fazer gemer por mim, pelo prazer que te entrego com o meu corpo. Não resisto... não consigo resistir! A minha mão desliza sobre ti devagar, para não correr o risco de perder qualquer pormenor.

Destapo-te. Agora, já só te quero ver nua, sozinha perante o meu ser. Indefesa, para que eu te possa consumir como tu me consomes. Percorro-te insaciavelmente em milhões de beijos inacabados mas já não me sabes a mel. Que aconteceu à tua doçura? Que foi que lhe aconteceu?... Onde guardaste a única coisa que me agarrava às tuas curvas? Onde?

Olho para a cadeira. “Porque não vestes o vestido vermelho?” pergunto-te ansioso. Gostava tanto de te ver, de novo, dentro do vestido, daquele vestido vermelho que já é mais meu que teu. Gostava tanto que voltasses a dançar comigo, de cabelos soltos, algures onde ninguém nos chegar.

Sem esse mel que me colava a ti, já não faz sentido procurar delícias em ti. Sem esse mel, precisas do vestido vermelho, precisas daquela chama escarlate que me prendeu a ti.

“Para que me queres vestida?” respondes, tentando uma fuga. Respondo-te que gostava mais quando a magia e o encanto faziam parte a nossa relação, que não gosto de ser descartável, que não gosto que me uses e me deites fora, que não gosto de ser alguém físico, que preciso do teu amor perto de mim. E o silêncio pousa sobre nós dois, despidos, dentro daquela cama vazia.

Levantas-te, pegas no vestido e veste-lo. Estendes-me a mão e agarras-me. Abraças-me e pões-me a mão na tua cintura. Murmuras um “Amo-te” muito desvanecido e soltas o cabelo. Olhas para mim, com as lágrimas nos olhos:

- Pensei que não gostasses do vestido...

- Pensei que não gostasses de mim... Queres dançar comigo?

Limpas as lágrimas e agarras-me para sempre, dançando toda a noite, ao som deste nosso amor eterno.




Beijos de bolacha a todos = *

   13 comments

mishel
August 25, 2005   05:54 PM PDT
 
good page http://www.g888.com
Luana
February 13, 2005   03:05 AM PST
 
Estava eu a vaguear pelo DA quando me deparo com um trabalho que subitamente me fez lembrar este texto, pela forma como transmite tanta coisa somente através imagem. Deixo-te aqui o link :) Beijo enorme **

http://www.deviantart.com/deviation/10615556/
Canina
February 4, 2005   03:31 PM PST
 
What can i say?? Escreves mt bm, e uma imaginação... kem m dera saber escrever um decimo do k escreves e ter tda essa imaginaçao. Mas no imaginar é k esta o ganho, por isso mxm tb imagino mtas coisas. De como podia ter sido algo k acabou entre outras coisas... continua assim. Pk assim és mt especial e estarás sempre no meu coração seja d k maneira for... Bjx fofa do Canina ;) ***ybapom***
Skizo
February 2, 2005   10:41 PM PST
 
"Digo-to" novamente. Dos melhores textos que já escreveste, ou pelo menos dos que já tive a oportunidade de ler.. Há quem diga que é nas pequenas coisas que se encontra o verdadeiro valor. Quer seja num vestido vermelho, numa pequena dança que significa o mundo, num dia que inclui o princípio de algo maior. São essas pequenas coisas que nos fazem 'ver' e admirar o "quadro maior". São mais que qualquer desejo e são nelas que vemos o quanto admiramos algo. São coisas que nos acompanharão para a vida, pequenas coisas que significam 'tanto tanto tanto...'
Mas alguns de nós fazem por esquecê-las. Dão a volta e quando reparam é tarde demais e só vêem o quadro maior, quando queriam ver tudo outra vez... Aí vêem o erro que cometeram. Querem lembrar-se do vestido vermelho, da pequena dança, do dia que passou...
Cabe a nós não deixarmos passar esses momentos, agarrarmo-nos a eles por quaisquer que sejam as adversidades. Não cair no mesmo erro em que caí...
Mais uma vez.. dos melhores textos que escreveste..
*A*
Luana
February 1, 2005   01:14 AM PST
 
É...as coisas tendem a perder a magia...Cabe-nos a nós em cada gesto resgatá-la nas amarras do tempo. Gostei bastante do texto...principalmente pela verdade das palavras. Lutar não é fácil...mas se fosse fácil não dava tanto prazer quando somos recompensados no final.

Um beijo
Langley
January 25, 2005   10:05 PM PST
 
Ora bem! Como sempre e como em todos os outros textos... adorei!
"Levantas-te, pegas no vestido e veste-lo. Estendes-me a mão e agarras-me. Abraças-me e pões-me a mão na tua cintura. Murmuras um “Amo-te” muito desvanecido e soltas o cabelo. "
Esta parte está fantástica!
Bjs* do teu vizinho
Gato
January 24, 2005   05:49 PM PST
 
Gosto muito do que escreves. E como escrevi umas palavras, decidi incluí-las aqui para te dar a conhecer.



O que somos nós
O que sou eu

Somos seres que vegetamos
Somos seres que queremos
Somos seres que procuramos

Que procura esta
Que loucura permanente
Em busca de algo, de um limite
Que consome toda a carne
Num labirinto de emoções
Que nunca acaba

O fim desta procura não pode existir
É o alimento de todo o meu ser
È a vontade de vencer
Esta cruzada infinita
A lutar pelo conhecimento interior
Com uma luz forte e directa

O que quero eu
O que queremos nós
Dré
January 24, 2005   01:43 AM PST
 
Tá lindo :D
Paiba
January 23, 2005   09:43 PM PST
 
Erm... eu keria dizer vaga e não caga, como é óbvio :S
Paiba
January 23, 2005   09:42 PM PST
 
"Vejo-te despida, enrolada nos lençóis de seda. A tua nudez espera por mim ofegante. Fecho os olhos e imagino-te na praia, de noite, a dançar com aquele vestido;" "Destapo-te. Agora, já só te quero ver nua, sozinha perante o meu ser."

Tiraste-me as palavras da boca =P
Rute é o k eu digo, tu és a melhor da nova caga de escritores nacionais... dps convida-me pa fazer um prefácio poético ao teu 1º livro =P bjokas **
Alguém, algures por aí fora...
January 23, 2005   03:27 PM PST
 
Um post por todos :P

embora só tenha lido 2 textos... não é por fazer 1 post, que não posso deixar de gostar do que escreves e como escreves...

"Limpas as lágrimas e agarras-me para sempre, dançando toda a noite, ao som deste nosso amor eterno."

Era bom que as coisas fossem só assim... :'(
Gui
January 23, 2005   03:26 PM PST
 
O amor é mais que um vestido, mais que um mel que nos prende. É algo que queima, deixa uma marca indelevel. É algo que nos puxa para a vida
LaRanJinhA =)
January 23, 2005   12:48 AM PST
 
=) Bonito...* * * gosto mt de ti =P *

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