Bolacha a bolacha, enche a Monstra o papo...




   

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"Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso"

Maria Teresa Horta * Morrer de Amor





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Tha Daily Show with Jon Stewart @ Sic Radical

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Monday, December 20, 2004
Muitas canetas, muitos papéis: uma Artista

             Riscou o último item da sua lista de compras. Fechou a caneta e guardou-a no bolso das calças. Estava tudo. Pronta a pagar, lembrou-se em dar uma vista de olhos às prateleiras dos livros e CDs. Era viciada em cultura. De certa forma, era aí que se refugiava da agitada vida que trazia dentro de si. O facto de viver sozinha ajudava na procura desse abrigo.

            Escolheu dois ou três livros e acabou por desistir dos CDs: não havia nada que gritasse por ela. Nada que a chamasse verdadeiramente à atenção.

            Virou o carrinho cheio que empurrava e dirigiu-se para a caixa. Parou. Uma capa branca, desajustada no meio daquela multidão de caixas, cantou o seu nome. Ela sorriu. Pegou, então, no Cd, caminhou  decidida para o fim da manhã e entrou no seu carro.

            Entrou em casa e suspirou de cansaço. Revolveu os sacos enquanto procurava pela cultura que havia comprado, deixando tudo espalhado pela cozinha.

            Pousou os livros na secretária. Prontos para o repouso, deitaram-se junto do monte de folhas rabiscadas que ela lá deixara. As folhas que ela usava para se libertar da rotina. Folhas que gritavam, que gemiam, que murmuravam um emaranhado de sons entrelaçados pela tinta das canetas que iam passando pelos dedos dela. 

            Ligou a aparelhagem e a música recém-comprada começou a tocar. Regressou à cozinha e voltou com meia dúzia de canetas. Colocou-as junto das outras.

            Várias canetas dormiam, alinhadas, junto do papel que a sua vida escrevia. Não coleccionava canetas, apenas as adorava. Desde pequena que assim era. Sempre preferira as canetas de feltro aos lápis de cor, sempre preferira escrever com uma caneta do que com uma lapiseira. De caneta na mão, tornava-se poderosa, forte... não voltava atrás no que escrevia. Não era tentada a esquecer as suas palavras com uma borracha. De caneta na mão, era quem queria ser: segura, confiante, artista.

            Tinha alma de artista ela. Não sabia desenhar nem pintar. Não sabia representar nem compor. E, no entanto, só era feliz a pintar ou a compor. pintava quadros de paixões impossíveis e compunha sinfonia de amores inacabados. Preenchia o vazio que sentia em si com a arte que não conhecia e com o seu recôndito talento.

            As palavras desenhadas num papel eram a sua arte. A música que cantarolava enquanto escrevia era a sua companheira de trabalho. O seu talento, borbulhante dentro de cada gesto, era a única coisa que lhe escapava. Não o agarrava porque não o conhecia. Deambulava pela casa, poeta errante do sonho que a movia. O sonho de que, um dia, ele voltaria para perto de si.

      

Um Feliz Natal a todos... que tenham muitas bolachas no sapatinho!! =D


Posted at 11:57 pm by Cookie_Monster
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Thursday, December 02, 2004
O Quarto

            Chegaste sem que eu desse conta. Já dormia há algum tempo. Os teus passos em pezinhos de algodão espalharam-se pela casa. Tentavas não fazer barulho mas o soalho teimava em gemer. Eu continuava perdida no meu sono. Abriste a porta do meu quarto e entraste em silêncio. Sentaste-te na poltrona verde-escura que me observava e esticaste-te um pouco para acenderes o pequeno candeeiro que tinha pousado no meu toucador de princesa.

            A luz era pouca e o ar estava baço. A poeira daquela casa velha, anos e anos a fio deixada sem ninguém, continuava esvoaçante. A bailarina perfeita daquele antro de solidão; a única companheira da casa que, estando tanto tempo à beira da morte, agora ressuscitava. Essa quase morte respirava-se. Um misto de bafio e naftalina sufocava quem lá entrasse. Nenhum de nós foi excepção.

            Estávamos os dois sufocados naquele quarto. Não pelo ar que respirávamos. Apenas por nos olharmos através daquela luz fosca e amarela. Uma luz indiferente ao que se passava ali, uma luz que trespassava os meus sonhos (cada vez mais longe de mim) e os teus desejos, somente isso.

            Acomodaste-te no sofá e fizeste barulho. Os meus sonhos, que já fugiam de mim desde que tu havias chegado, dissolveram-se na escuridão do meu sono: acordei. Esfreguei os olhos, sentei-me, ainda embrulhada nos lençóis, e deparei-me contigo- sorrias levemente, deleitado no meu dormir. Os teus olhos de chocolate e avelã derreteram-se em mim e o verde que ainda lhes restava brilhou, iluminando a luz que suspirava por ali.

            Levantaste-te, ajoelhaste-te perto da minha cama e agarraste as minhas mãos. As tuas estavam suadas. Transpiravam um amor que nunca senti vindo de ti. Guardei-o dentro de mim, para que nunca mais duvidasse da sua existência, e sorri.

            Uma lágrima tua espreitou-me por detrás daquele teu olhar de ternura e desilusão. Sabias que estava no fim. Sabias que, tal como aquela casa velha, o nosso amor estava gasto. Amávamo-nos mas o tempo e a vida não queriam. Eu não sabia. nunca soube até à quele instante de paixão perdida. Conhecias-me assim: ignorante e perdida em ilusões apaixonadas. E agarraste-te a elas, na esperança de que ditassem a vitória do nosso amor rasgado por uma distância inacabada.

            Espalhaste a tua dor pelo meu coração e abraçaste-me, tentando acalmar-me. Ali, a teu lado, sofria tanto com tu: estava presa a um sentimento desvanecido na escuridão dos meus sonhos. Sonhadora ignorante, viajante por amores perdidos, solítária passageira de uma vida de desenganos e paixões comprometidas, foi no que me tornei quando te agarrei dentro de mim. 
           O quarto respirava devagar, cada vez mais lentamente naquela noite de luar escondido. Estava cansado, como nós. Asfixiado pelo nosso desencontro, mantinha-se calado, abraçado ao vento que cantava lá fora, em coro com a chuva.
           Também eu cantei para ti, naquela noite. De mãos dadas e olhos tristes, canto a melodia que nos separou para sempre. "Amo-te, adeus..."



Beijos de bolacha =*   


Posted at 10:58 pm by Cookie_Monster
6 Bolacha(s)  

Wednesday, November 17, 2004
Chave na porta

   

           Pus a chave na porta e rodei-a. Não estava trancada como eu a deixara. Entrei. Cheirava ao teu perfume: doce, intenso, penetrante. O teu aroma de sedução pairava no ar despreocupadamente. Pousei a chave e segui os passos que tinhas dado quando invadiste o meu espaço.

Encontrei-te no meu sofá, descalço, sossegado, a ler uma revista cor-de-rosa qualquer, demonstrando um interesse quase ridículo. Estavas com uma camisola azul vestida, aquela que tornava os teus olhos verdes ainda mais azuis do que quando me vias. Pousei a mão esquerda na cintura e esperei irritante e silenciosamente que olhasses para mim. Passados alguns segundos resolveste levantar os olhos para mim. “Estava a ver que nunca mais chegavas.”, disseste com ar de desprezo “estava à tua espera já há um bocado”, continuaste. Sabias que com aquele teu ar arrogante e estupidamente meloso me punhas “na palma da tua mão”, como se costuma dizer, e aproveitaste-te disso. Ou, pelo menos, tentaste.

Não estava com muita disposição para esses teus jogos de ludíbrio e amor fingido. “Que estás aqui a fazer?” perguntei num tom seco e agressivo. Olhaste para mim e soltaste uma daquelas tuas gargalhadas frívolas e geladas. Pediste desculpa com ironia, fizeste uma pausa, e continuaste “Não sabia que já não era bem-vindo na tua casa.”. Obviamente, não eras bem-vindo. Tudo o que era teu e ainda sobrevivia à minha passagem, dentro daquela casa, já estava esquecido – tinha sido apagado dos meus sentimentos e, assim, da minha vida. Eu, ali, já não era tua. Da mesma maneira que tu nunca tinhas sido meu: nunca havia amor.

Continuaste aquelas provocações, convicto de que sairias vitorioso. O teu sorriso transpirava a confiança de quem sabe que sairá vencedor, apenas por saber que o jogo está viciado. De certa forma tinhas subornado o meu espírito, só para teres o prazer de me ganhares no meu próprio território. Estando tão concentrado no facto de que, à partida, eu já estaria ganha, não percebeste a minha atitude de rejeição. A princípio julgaste ser apenas mais uma prova da brincadeira: estava afazer o papel de “durona” para torná-lo maior, era sempre tão pequeno que deixara de ter piada. Chegavas, dizias duas a três frases e um final de ardor e paixão estava assegurado.

Pobre ingénuo! Ali, pela primeira vez na minha vida, tive pena de ti. A tua aparente omnisciência transfigurava-se em incerteza, a tua segurança inabalável transformava-se numa desconfiança insegura. Parecias uma criança inocente: estavas com medo de mim. Estavas cm tanto medo que já não fosse tua....

Não disse mais nada eu. Limitei-me a passar por ti e dirigi-me para a cozinha. Levantaste-te e correste atrás de mim. Agarraste o meu braço com força, aleijando-me e obrigando-me a virar para ti. Os teus olhos relampejavam de raiva.

- Não penses que por te fazeres difícil eu vou desistir de ti! És minha hoje, da mesma maneira que foste minha ontem e serás minha amanhã!!! – gritaste.

Habituado a que tudo te corresse planeavas, depressa saíste dali.

A porta bateu. Estava, finalmente, sozinha.


 

Beijos de bolacha para todos =*

       

 


Posted at 10:39 pm by Cookie_Monster
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Friday, November 12, 2004
A última noite

            O vento já parou de soprar. Aquele frio que invadia a noite de medo e inquietação foi-se com ele. Agora, só eu estou aqui. Olho para o céu estrelado e a minha paixão lava-me para aquele cantinho só nosso. Sorrio. Fecho os olhos e regresso ao dia em que fomos felizes juntos.

            Sinto os teus passos a descer as escadas de pedra e ouço-te sentar mesmo atrás de mim. Abraças-me suavemente e deixas que as minhas mãos se entrelacem nas tuas, como dois corações que se agarram no meio de uma tempestade. Viro-me só para ver esses teus olhos doces e meigos que, vezes e vezes sem conta, me murmuraram “Desculpa qualquer coisinha..” e deleito-me no conforto que aí ainda encontro.

            Esta noite que vivo, aqui, contigo, é a nossa noite. O céu está estrelado, a Lua ilumina o mar, as ondas cantam uma música que só a nós pertence... o mundo parou à nossa volta para que possamos guardá-la para sempre como a noite em que os nossos corações ficaram eternamente apaixonados. A noite que hoje nos aconchega é mais do que, apenas, a noite em que descobrimos que o amor que nos une nunca será mais do que um sentimento perdido, mantido em segredo pela vida que nos separa.

            Abro os olhos. Já não estás abraçado a mim, as nossas ,mãos já não se agarram como se adivinhassem o nosso futuro desencontrado, já não te encontro em tubos de sorrisos e felicidade... aquela noite que hoje revivi foi, de certa forma, o nosso último momento. Foi o lençol de breu com que cobrimos o nosso amor, esperando que ele se esquecesse de nós. Um funeral de algo que não morre, nem quer morrer; um funeral de algo que vive cada vez mais, cada vez maior; um funeral que, apesar da nossa vontade, nunca se realizou. Felizmente.

            Vejo-me daqui a uns tempos à tua espera num lugar que se nosso nada tem. Rodeados de pessoas, deixamos que a vontade, que o desejo, que o coração, que a saudade dite as nossas acções. No momento em que os nossos olhos se reencontram, corro desesperadamente na tua direcção. Caio nos teus braços como fazia outrora e desenterro o amor que por ti nunca cheguei a enterrar definitivamente.

            Um olhar, um abraço, um beijo. Agarro-te e aperto-te para que nunca mais fujas de mim como já uma vez o fizeste. Também me apertas. Dizes-me que não me queres tua se igualmente pertenço a outro alguém.

            Amas-me, não me desejas apenas. Sabes que um beijo mais quente ou uma noite passada junto da Lua só aumentaria a saudade que sentimos um pelo outro, nada mais. Também eu sei isso. Sei que um dia, uma semana, um mês – nada seria para o que sentimos. Quem sabe uma vida inteira não seria pouco para estarmos juntos? Quem sabe?...

            Queres descobrir?....


Posted at 10:33 pm by Cookie_Monster
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Saturday, October 23, 2004
Let me die...

A broken sight entered the room that night. A white hand ripped his head off and covered him with his spoiled tears. It was Her hand. The Angel’s one. The only one that could save him from his doom. The one that could take him out of that silent perdition that kept chasing him every single day of his short life.

The hand stopped its movement and her light blue eyes saw mine. Those burning frozen eyes had killed my soul and held my heart murdering my mind. My dreams scattered all over the dusty floor. There was nothing that I could do. I was there all alone. So I closed my eyes and started praying. A prayer that had been drawn by a sad poet rushed out of my mouth. A poetry of despair. My despair. My only hope was in those small words and nowhere else.

Suddenly I saw a star in my heart and opened my eyes. Her pale lips were smiling at me. In a second, my agony was fulfilled with that soft and tender smile. I had no more hope left. So I cried. Two rivers of salted tears crossed my face and fell on the floor whispering quiet words that only she could understand. “Please don’t leave me here in pain… take my life away… let me die…let me die…”


Posted at 04:33 pm by Cookie_Monster
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Saturday, October 16, 2004
Sonhei contigo esta noite...


   Sonhei contigo esta noite.   

   Desceste as escadas de madeira em direcção à mesa de jantar, estava toda a gente à tua espera. Pegaste na mão dela e beijaste-a. Derreteste-te no olhar daquela rapariga que não consegui reconhecer. Ardi de ciúmes e inveja por não ser minha aquela mão que beijaste com tanto calor, amor e paixão. Senti-te completo quando olhavas para ela e não queria que assim fosse. Queria que fosses meu naquela noite, queria ter-te nos meu braços outra vez, queria voltar a ser quem fui em tempos.

   A sala estava cheia de pessoas. Não percebi se era natal ou se, simplesmente, o teu aniversário. Também não me interessei muito por isso, o facto de te ver, ali, perfeito nos braços de alguém que não eu, afligia-me. E muito mais do que podes, sequer, imaginar. Voltei a estar apaixonada por ti, voltei a amar-te como antes. Queria ser eu aquela rapariga em que vivias perfeito, queria voltar a ser tua para que também fosses meu. Queria voltar a debruçar-me num corrimão sujo só para te dar aquele sorriso que, uma vez, me pediste; queria voltar a perder horas a fio abraçada a ti, num castelo encantado; queria voltar a ver-te aquela vez por semana em que o tempo estava sempre contra nós... queria voltar mesmo a sério, sabias?

   Aquela miúda deu-me a volta à cabeça. Sabia que não te merecia. Tu mereces o mundo e ela nem olhava para ti. Não ficava mergulhada nos teus olhos nem se derretia ao ouvir a tua voz... não te amava, nem te queria. Apenas fingia estar regalada a teu lado, sabendo que ficarias satisfeito com isso. Arreliou-me gratuitamente pelo prazer de ver lágrimas a caírem por ti.

   Sonhei contigo esta noite para te amar como amei, em tempos. Para sofrer com a tua distância e saber que não te voltarei a ter nos meus braços, porque te deixei, esperando fazer o melhor para ti. Não gostei do que sonhei, não gostei do que vi...Não gostei do que senti. Senti-te fora de mim mesmo sabendo que, para sempre, ficarás cá dentro. Ou quase. Houve algo que me deixou tranquila: nunca deixarei de te amar. Muda a forma, não muda a consistência.

 

"E uma asa voa a cada beijo teu..esta noite sou dono do céu... e eu não sei quem te perdeu"
Pedro Abrunhosa * Eu não sei quem te perdeu


Beijos de bolacha para todos =*


Posted at 04:43 pm by Cookie_Monster
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Sunday, October 10, 2004
Paixão, fogo & Amor Eterno

         Abriste os meus olhos cantando uma música que não conseguia ouvir. Destapaste o meu corpo para que pudesse sentir o Sol brilhar dentro de mim. Despiste a minha alma, deixando-a completamente nua, para que pudesses sentir-me de outra forma que não um olhas, uma carícia, um beijo...
         Viste o que quiseste, apenas isso. Não vasculhaste, não procuraste, não remexeste, não perguntaste. Arrombaste a porta mas não quiseste entrar: preferiste espreitar pela janela.
         Vesti, então, a minha alma e fechei as cortinas. Entrei, de novo, no meu Mundo e tapei-me com os lençóis que rasgavas, a cada instante, no teu pensamento. Voltei a cabeça e adormeci. 
         Não me deixaste sonhar. Entraste no meu ser. Incendiaste o meu coração de paixão. E, satisfeito, assististe ao espectáculo que foi o inflamar de tanto desassossego. Nada te dava mais prazer do que saber, ver, sentir que alguém sofria por ti. Mas, de repente, como se algo te atormentasse, agarraste aquela chama que ardia dentro de mim. Beijaste-a. Aconchegaste-a contra o teu peito e murmuraste-lhe palavras de amor que me foram impossíveis de ouvir. Largaste-a por instantes.
         Olhaste para mim e abraçaste-me. Entregámos as nossas almas, ali, ambas despidas por dois corações sedentos de desejo. Sem vergonha ou falsas esperanças deleitámo-nos, cada um, no outro. Deitámo-nos numa manta de sonhos e perdemo-nos nas nossas fantasias e ilusões. Encantados com promessas, pintadas naquele céu irreal, que eternizavam paixões e amores efémeros, como o tempo que nos abraça, adormecemos, lado a lado, e esperámos que nada nos acordasse. Que nada se atravessasse naquele conto de fadas onde nos amámos para sempre.

Beijos de bolacha para todos =*

                                                             


Posted at 10:41 am by Cookie_Monster
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Friday, October 01, 2004
O primeiro dia de uma nova vida...


      Estamos a entrar em Outubro: já houve tempo de arrumar as malas das férias, de lavar o carro sujo de pó (porque a estrada que ia para a praia era de terra batida), limpar a casa toda para tirar o cheiro a fechada, enfim, já houve tempo para começarmos a viver de novo no nosso lar. O professores estão, finalmente, colocados: começaram as aulas a todo o gás!
      
     Os adultos preparam-se para mais um ano cheio de complicações no trabalho. Acordam e, talvez apenas por estarem ansiosos com a perspectiva de um ano devastador, acendem um cigarro. Ainda em pijama, arrastam-se para a varanda, de maneira a não incomodar as crianças com fumo, de maneira a terem um minuto de sossego antes de iniciarem mais uma jornada fatídica. Apagam o cigarro e vão acordar os mais pequenos.
   "Só mais um bocadinho, mamã." murmura, estremunhado, o mais pequeno. O mais velho já acordou mas mantém-se de olhos fechados, fingindo dormir, na esperança de que a mãe os deixe ficar na cama mais um pouco. Ela, com a preocupação de não chegar atrasada ao emprego, destapa os miúdos obrigando-os a levantar. "Vá lá meninos...não podemos chegar atrasados logo no primeiro dia! Lavem-se e vistam-se; têm as vossas roupas penduradas nas cadeiras das secretárias ok?". Sem argumentar, os rapazes obedecem à Mãe.
   Na cozinha, o Pai liga o esquentador para tomar um duche (ainda não acordou muito bem...). É sempre o mais rápido a ficr pronto. Limita-se a tratar de si: veste-se, faz a barba e, quando calha, bebe um iogurte à pressa. A cafeína (apesar de essencial), na sua opinião, sabe melhor quando tomada na azáfama de um café numa das ruas perto do prédio onde vive. A confusão é uma forma eficaz de iniciar o dia desperto.
   Enquanto o resto da família se despacha, a Mãe prepara o pequeno-almoço dos rapazes e vai olhando impacientemente para o relógio: já deviam estar a sair de casa! Bastante agitados e meio engalfinhados os miúdos entram na cozinha, gritando que não querem ir para a escola. Sentam-se e começam a comer, algo apressados pela voz da Mãe, os cereais.
   Já com a barba feita, o Pai entra, também, na cozinha. O olhar da sua mulher guia- -o até ao relógio, fazendo com que a sua expressão descontraída se dissolva no ar daquele refúgio ao ar que se respira lá fora. "Meninos, vá lá...vão buscar as vossas mochilas!". É a ordem de partida.
   A porta é fechada e a mão mais pequena daquela família carrega no botão do elevador. O mundo do caos está a seis andares de distância. Entram numa gaiola sem grades e iniciam a sua descida até ao inferno urbano.
   Entram no carro, põe os cintos de segurança e aguardam que a Mãe fume mais um cigarro: o stress de um eventual atraso no primeiro dia de trabalho não lhe agrada nada. Ela fecha a porta e Ele gira a chave, já na ignição. O trânsito dificulta a sua tarefa de levar os miúdos para escola e de se levar a si próprio para uma cidade muito mais confusa do que o seu dormitório de subúrbio.
   Chegam á escola dos rapazes. Hoje é o primeiro dia de aulas do mais novo. Apesar disso, ele mantém-se calmo enquanto a Mãe rói as unhas de nervosismo pelo futuro do seu pequeno... hoje ele dá um dos mais importantes passos da sua vida, ainda que não se aperceba disso. Sai e abre a porta aos filhos, as mão tremem-lhe e o olhar permanece fixo na sua ansiedade. Leva-os, cada um, à sua sala de aula. As respectivas professoras já os esperam com um sorriso. Um beijo na bochecha de cada um e estão entregues.
   Regressa, então, para junto do seu marido e junta a sua mão a dele. Não consegue evitar que uma lágrima desça o seu rosto. "Hoje é o primeiro dia de uma nova vida para ele...e, de certa forma, para toda a nossa família"... e, ali, de mãos dadas, os dois ficam, mais unidos que nunca, esperando que essa nova vida saja a vida da Felicidade.

Bom ano escolar e afins!...

Beijos de bolachinha para todos =*

                                    

Posted at 12:37 pm by Cookie_Monster
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Wednesday, September 29, 2004
A Praia do Meu Verão

Sentada na toalha, pedalando sobre o asfalto quente, voei até à praia dos meus sonhos. Os pássaros cantavam alegremente e, com o pequeno-almoço no bico, pousavam nas árvores, polvilhando a paisagem de pequenos pontos brancos. Apesar do calor que o Sol teimava em oferecer, o aroma do orvalho permanecia no ar. As gotas caíam das folhas imitando a chuva. As nuvens tentavam perseguir-me com inveja naquele caminho esguio na esperança de lá chegarem antes de mim.

         Cheguei e deitei-me na toalha à espera de alguém que me viesse acordar.

         Ouvindo apenas a melodia que mar canta para mim, alguém me traz de volta à areia, fazendo com que eu abandone aqueles meus sonhos de um verão encantado. Um rapaz, mais ou menos da minha idade, tira-me os cabelos da face obrigando-me a abrir os olhos e esboçar um sorriso radiante. Estende a sua toalha cor de paixão junto à minha- antecipando-se ao que iria acontecer debaixo daquele Sol apaixonado- e retribui o sorriso.

         Um instante é suficiente para que todos os outros se juntem a nós em grande confusão. Gritos em tom de brincadeira e gargalhadas aproximam-se e aterram à nossa frente. Pousam as coisas e correm para o mar. Todos excepto uns Olhos Azuis, cor de céu, e um Mel de Verão que precisam de nós dentro de água para não sentirem o seu frio. Seguimo-los.

         Num murmúrio inquietante, o oceano teima em apenas molhar as pontas do meu pés. Está fria a água. Não quero entrar. Recuo, então, alguns passos e sento-me na areia áspera. Ali fico sozinha, rodeada de gente, observando os detalhes da alegria do meu areal de fantasias. Algo me interrompe: um dos rapazes atira-me água, uma das raparigas atira-me areia e depressa me levanto e exijo uma vingança. Corro atrás deles e acabo por entrar no mar. Enganei-me: o frio é gelado!

         Um abraço aquece-me de imediato. A paixão de um verão (que teima em correr mais depressa que os outros) torna aquela ilha de emoções submersas mais quente do que o Sol poderia. Naquela ilha torno-me alguém que vive escondido na sombra das preocupações que enfrento durante o ano. Gestos, sorrisos, olhares, palavras... ali, tudo flui com naturalidade, tudo se torna na nova peça de um amor que para sempre será recordado como mera paixão. Ali, na nossa ilha, mergulhamos em ilusões que nunca serão vividas, juntamos os nossos corações esquecendo que nunca entregaremos as nossas almas debaixo daquele céu.

         De mãos dadas, voltamos a pisar a areia seca. Secamos o sal que se deleita na nossa pele e tempera uma emoção que ainda não conhecemos e deitamo-nos nas toalhas. Ali ficamos de olhos nos olhos, nenhum dos dois diz alguma palavra. O barulho que nos envolve é suficiente. Cada frase, cada sussurro, cada suspiro...cada momento que passa espalha-se na praia como fogo de artifício numa noite estrelada.

          O papel da praia não é apenas o de palco de emoções perdidas ou de espectador de paixões mágicas. O mar, o céu, o sol, a praia são testemunhas, são espelhos de sonhos encantados que caminharam ao lado de cada um que lá põe os pés na Primavera da sua vida para todo o sempre.


Beijos de Bolacha para todos =*

                                                          



Posted at 10:52 am by Cookie_Monster
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Monday, September 13, 2004
Anda cá...

            Anda cá e vem até mim. Persegue-me dando passos invisíveis no silêncio desta noite tão fria. Vem cá e aquece este meu coração desassossegado. Embala o meu sono com melodias de encantar.

            Embala-me e deixa-me sonhar com estrelas perdidas... pequenas estrelas desencontradas do meu céu. Largaram o firmamento com a promessa de que este seria guardado  para uma estrela muito maior. Consentiram a sua derrota pois também elas sabem que brilhas mais do que qualquer outra luz que ilumina os meus sonhos.

Anda cá e acalma a minha alma. Abraça esta paixão que tenho dentro de mim. Abraça-a e beija-me. Beija-me como o Sol beija o mar antes de desaparecer no horizonte, partindo para um dia longe da praia onde hoje adormeço.

Beija-me, abraça-me e navega no meu coração. Transforma o meu sonho num desejo e pede-me a paixão que nunca ontem senti. Corre atrás de mim, gritando calado que não me queres nem me desejas: apenas me sentes a cada compasso da tua vida.

Corre e, quando me conseguires agarrar, aperta-me contra o teu peito e deixa-me voar pela tua alma. Leva-me onde o tempo e a distância não existam para que possa estar eternamente a teu lado. Dá-me a mão e passeia comigo pelos mares da Lua e pelos  anéis de Saturno. Se o fizeres, moldaremos o destino da mesma maneira que uma criança molda o barro: exactamente como entendermos. E, de novo, beija-me como o Sol beija o mar: desaparecendo em seguida, despedaçando o meu coração em lágrimas de cristal.

Corre, desespera, faz-me correr e desesperar; beija-me e voa, que eu beijar-te-ei e partirei contigo a voar; agarra o destino e prende-o ao sonho para que eu nunca deixe de sonhar; ama-me como ninguém e eu aprenderei a amar.

        

Bom Regresso às Aulas afins...

Beijos de Bolachas a todos =*

     


Posted at 03:53 pm by Cookie_Monster
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